Obama pode mudar, mas não deixar de ser imperialista


Há tempos me envolvi em uma conversa muito empolgante com meu caro amigo e exímio jornalista, Luiz Eduardo Braga, sobre o destino do mundo e dos Estados Unidos com a eleição de Barack Obama. Quem iniciou o assunto? É claro que só podia ser o Braga! Com a pergunta que todo o professor de Universidade fez o ano passado a qualquer aluno que prezasse o seu intelecto, Braga deu o ponta pé inicial da conversa: Você acha que tudo vai mudar com a eleição do Obama?

Caros, eu seria uma herege se não dissesse que a própria eleição do 44º presidente dos EUA, e PRIMEIRÍSSIMO presidente negro eleito, já denuncia uma mudança drástica na democracia estadunidense. Mas como boa “Do Contra” que vocês sabem que eu sou, fiz questão de enfatizar que por conta da cultura imperialista da terra do Tio Sam, muita coisa iria ficar na mesma e apenas algumas mudanças notáveis iriam acontecer.

Concordando comigo Braga soltou uma das frases mais utópica que eu já havia ouvido em toda a minha vida: “Eu sei que não vai mudar muita coisa,mas Ana Paula, se ele fechar a prisão de Guantánamo, terminar a guerra no Iraque e deixar a economia estável, pra mim ele já teria feito muito e seria O Presidente dos EUA”.

Mal sabia eu que essa frase além de utópica foi uma previsão certeira do meu caro amigo Braga. Em seu primeiro dia como presidente, Obama pôs fim a prisão de Guantánamo, que deve estar vazia ainda no final deste ano. Surpreendente!

Mas acreditem meus amigos, eu também sou vidente e também tinha razão a respeito da cultura imperialista. Na mesma página do jornal Folha de São Paulo em que foi noticiado o fim da prisão de Guantánamo, estava uma discussão entre o novo diretor da CIA e do ministro da Defesa dos EUA, a respeito dos métodos de tortura aderidos pelo exército e cia ltda. Para o chefe da Inteligência dos EUA, Dennis Blair, afogamento não seria uma técnica de tortura, por isso não deveria ter sido citada no decreto que proíbe torturas e métodos coercivos. Tal decreto foi assinado por Barack Obama junto com aquele que coloca fim a prisão de terroristas em Cuba.

Oras! Se afogar uma pessoa para fazê-la falar ou confessar algo não é uma técnica de tortura ilegal, eu sou a Marlyn Monroe reincarnada! É muito simples essa questão: a Convenção de Genebra qualifica afogamento como tortura não aceitável. E olhem que tem algumas torturas que a Conveção diz ser aceitável. Vai entender...

Outra das minhas previsões culturais, foi exposta pelo atual presidente em seu próprio discurso de posse.

Lembrem-se de que gerações anteriores derrotaram o fascismo e o comunismo não apenas com tanques e mísseis mas com alianças vigorosas e convicções duradouras. Eles entenderam que o nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá direito a fazer o que quisermos. Ao contrário, elas sabiam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força de nosso exemplo, das qualidades temperantes da humildade e da contenção.
Somos guardiões desse legado (...)” Barack Obama


Vocês sabem que as palavras “fascismo” e “comunismo” colocadas na mesma frase nunca pode dar coisa boa. O pior não é isso, o pior é ter o comunismo sendo colocado no mesmo patamar do fascismo, como se ambos tivessem a mesma razão de existir: exterminar uma raça, classe ou ideologia. Não é a toa que a China censurou o discurso, e depois cortou toda a transmissão. Por isso que digo e repito que essa cultura estadunidense de acharem que são os heróis do mundo não irá embora. Eles acreditam sinceramente que são superpotências e que podem superar tudo e todos.

O mais cômico de toda essa história é que o autor preferido de Obama é Martin Luther King . Quer alguém mais comunitário e comunista que Martin Luther King?


Com isso concluo dizendo que : “Nem tudo que reluz é ouro”. Triste, mas é verdade meus caros.




Ana Paula Bessa
Um tico paranormal

4 comentários:

Juli de Souza disse...

Paulinha, eu concordo com vc. As coisas não serão tão simples. Ele manterá a política externa com pitadas de ufanismo americano. Esse decreto da tortura foi emblemático. Mais ainda as recentes declarações acerca do conflito na Faixa de Gaza afirmando que "Israel tem o direito de defender duas fronteiras".. (aliás, o tal Dennis Blair é judeu pelo que me consta), ou seja, acho q outra coisa q não vai mudar é sua política de quem são os "aliados". No discurso dele, qndo ele aponta o comunismo como inimigo, também denota a óbvia aversão que eles têm contra a esquerda socialista, ideologia que alguns tentaram atribuir à ele, Obama. Ou seja, concordo com seu Tico Paranormal (amei isso).. mas, parafraseando nosso presidente Sifu, ops, Lula: "nunca na história desse país..." pelo menos isso, já é um bom sinal. ;)
Bjunda!
P.S.: de vez em qndo dá uma espiada lá no meu blog também né!

Luiz Eduardo disse...

Bessa,

1º eu coloquei como critério para Obama o fim do bloqueio econômico a Cuba.

2º Há um excesso de esperança com a eleição desse mulato, mas, consideran-se as condições, ele será um bom presidente, afinal, não dava pra esperar que ele fosse se declarar um socialista convicto no discurso de posse.

Lucano disse...

nem tudo que é "pretinho" é petroleo...

a fé cega a esperança mata (ou não)

Fernando Borges disse...

Acho engraçada toda essa questão sobre o imperialismo.
Faz-se um maniqueísmo tremendo em torno disso.
Os EUA são sim uma superpotência; o coração do Capitalismo está lá, enquanto os outros "órgãos" se espalham ao redor do mundo. O "imperialismo" é algo inevitável para um país como os Estados Unidos, e não vejo motivo para encarar como algo negativo; pelo menos não no contexto atual.

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